O pai caminhava ao lado de seu pequeno filho lentamente, segurando em sua mãozinha pequenina. A tarde possuía cores vibrantes. As árvores estavam carregadas com suas folhas verde-escuro. O céu derretia-se em um azul delicado e o sol ardia com seu amarelo berrante.
Mas dessas coisas o menino não fazia ideia.
Risadas infantis anunciavam que haviam chegado ao parque. As vozes das crianças. O som dos pequenos pés correndo. Pulando. Era um momento agradável, em um local agradável. Sentou-se com seu filho em um banco. O garoto possuía um sorriso no canto dos lábios. Seus pés não tocavam o chão quando sentado e ele balançava as perninhas, distraído e satisfeito. Parecia gostar do lugar. Mesmo sem saber quantas árvores havia ali. Mesmo sem conhecer o sorriso das crianças ao redor.
O pai o fitou, contente com a felicidade inocente estampada no rosto do filho. Era um menino comum divertindo-se contido. Apenas uma criança normal, não fosse pelos pequenos óculos escuros ou a bengala infantil.
Olhava de um lado para o outro, sorrindo com a boca fechada, sem nada ver. Balançava a cabeça como que ao som de uma música, alegremente, divertindo-se a seu modo.
— Papai — a voz infantil, o sorriso nos lábios —, conta como são as árvores, de novo?
— São bonitas! O corpo delas é marrom, e a parte de cima é esverdeada...
— Sabe o que eu gostaria mesmo? — interrompe o menino, olhando para frente fixamente, sorrindo em seus devaneios e escuridão — Sair correndo. Correr por horas, até suar e ficar cansado. Como é correr, papai?
O pai o olha com carinho.
— Correr é... Bom. Não há nada de muito excitante nisso, mas pode ser divertido. — diz o pai, sorrindo.
— Para mim parece maravilhoso. Eu poderia correr sem parar, correr com as crianças...
Ficou em silêncio, perdido com seus pensamentos e imaginação. O pai olhou ao seu redor. Havia crianças correndo por toda parte, despreocupadamente, como fazem as crianças. Voltou seus olhos para seu filho, e percebeu que o menino parecia inquieto.
— Acha que eu poderei correr um dia? Acha que um dia eles gostarão de mim? — perguntou após uma longa pausa, como se a pergunta fosse resultado de um longo debate íntimo.
O pai sente um nó na garganta pela repentina pergunta. Não era algo com o qual uma criança deveria se preocupar.
— Não diga isso. Eles gostam de você. Todos gostam. E não existe nada que você não possa fazer. Você é capaz de fazer qualquer coisa que colocar no seu coração. — disse o pai, a voz um pouco embargada, momentaneamente satisfeito que o garoto não pudesse ver sua tristeza.
— Como você tem certeza?
O pai sorri, se aproxima mais do filho e coloca os braços no ombro da pequena criança.
— Onde estou agora e o que estou fazendo?
— Está do meu lado, me abraçando... — responde o menino, confuso.
— Como você tem certeza?
— Porque eu posso sentir.
O pai sorri para si mesmo e aguarda em silêncio, significativamente. Seu sorriso se torna maior quando vê o rosto do menino se iluminando com compreensão.
O filho o abraça apertado e continua olhando para frente em um ponto fixo, perdido em seus desejos e sonhos, com um sorriso brilhante e um balançar de pernas no ar.
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mas que blog do caralho hein *O*
ResponderExcluireu amo o brogue do sheldon ♥
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirNossa, chorei. Só que achei lindo. *--------*'
ResponderExcluiras vezes eu acho que as crianças enxergam a vida numa perspectiva tão pura que muitos adultos perdem ao crescer :]
ResponderExcluirSe vc entender que nasceu pra escrever... vc n vai parar nunca mais...
ResponderExcluirSabe ser sutíl e faz as palavras dançarem.....
Sentir emoções todos podem.... Falar delas com excelência, alguns privilegiados podem .. como vc....
Está de parabéns....
Sentir....
ResponderExcluirsempre SENTIR!
amei!