Ei bailarina, do amanhã não tenha medo
nunca verá o amanhã a fazer alguém sofrer.
Não se perca em errado receio,
é o presente, o hoje, que se deve temer.
Viva hoje, bailarina! Futuros podem ser tomados.
Respire sua arte.
Pinte com seu corpo em nossas memórias
sentimentos imaculados.
Não há preço para a excelência
de tocar uma alma, preencher corações.
Com uma expressão ante às luzes do palco,
criar emoções.
Lágrimas de paz aos olhos de vidas de tribulações.
Viva hoje, bailarina! Não fuja das tentações
sem se dar o trabalho de tentá-las.
A luz do palco da vida só se apaga uma vez.
E é para sempre.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Terceira do plural
Há uma infinidade de pessoas na Terra.
E eu tenho a impressão de conhecer as melhores delas.
Eles preenchem-me quando me sinto vazio; completam-me quando todo o resto parece não fazer sentido.
Quando o céu se desfizer em pedaços sobre meus ombros, eles manterão os pedaços unidos. Farão novas todas as coisas em meu universo.
Eles tornam a tudo suportável.
Quando eu não mais puder respirar, eles serão meu sopro de vida; quando não puder enxergar, eles serão as cores do mundo.
Eles me ensinam que é necessário acreditar que um sonho é possível. Que o tempo ruim embora seja severo, ainda dura somente um tempo. E passa.
Calejam suas mãos para me levantarem de novo. E de novo, incansavelmente.
Ensinam-me a progredir e edificar-me. Tentar, sem medo de talvez errar.
Eles me fizeram entender que nada nos afasta, nem mesmo a distância ou a angústia dos anos. Não quando se é uma só carne. Um só sangue. Uma só vida.
Há uma infinidade de pessoas na Terra.
Hoje afirmo que conheço as melhores delas.
Obrigado Deus, por ter-me dado amigos.
E eu tenho a impressão de conhecer as melhores delas.
Eles preenchem-me quando me sinto vazio; completam-me quando todo o resto parece não fazer sentido.
Quando o céu se desfizer em pedaços sobre meus ombros, eles manterão os pedaços unidos. Farão novas todas as coisas em meu universo.
Eles tornam a tudo suportável.
Quando eu não mais puder respirar, eles serão meu sopro de vida; quando não puder enxergar, eles serão as cores do mundo.
Eles me ensinam que é necessário acreditar que um sonho é possível. Que o tempo ruim embora seja severo, ainda dura somente um tempo. E passa.
Calejam suas mãos para me levantarem de novo. E de novo, incansavelmente.
Ensinam-me a progredir e edificar-me. Tentar, sem medo de talvez errar.
Eles me fizeram entender que nada nos afasta, nem mesmo a distância ou a angústia dos anos. Não quando se é uma só carne. Um só sangue. Uma só vida.
Há uma infinidade de pessoas na Terra.
Hoje afirmo que conheço as melhores delas.
Obrigado Deus, por ter-me dado amigos.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Você
Quando fui baleado a primeira coisa em que pensei fora você.
Ele viera com sua arma e me pedira a carteira. Levantou aquele metal brilhante em direção ao meu pulsante coração amedrontado. Teve a decência de me olhar nos olhos impiedosamente antes de, com a simplicidade de um movimento de dedo, colocar uma vírgula nos meus sonhos. Era isso. Todos os planos, desejos e futuro estavam cessando em troca de algumas notas coloridas em uma carteira de couro. Quando a primeira bala perfurou-me não houve estalido, dor ou impacto. Não movi um músculo, apenas fechara os olhos. O silêncio vibrante suprimiu todo o resto e seu sorriso declarou-se, pintado em minhas memórias.
Você.
Era o universo prendendo a respiração enquanto eu, talvez uma última vez, me deliciava com a sua feição.
Abri os olhos lentamente. O metal quente ainda estava apontado para mim. Desci o olhar vagarosamente e toquei o peito com as pontas dos dedos. Eles se sujaram, rubro, vivo, envergonhados. Meu sangue se esvaía com a mesma velocidade que minhas ilusões de felicidade futura.
Lembrei do seu toque.
Olhei novamente nos olhos desumanos que me assistiam sucumbir e ele disparou novamente.
Desta vez fora cruel. O estampido fora ensurdecedor e o impacto me jogara contra a parede. Sabia que o projétil havia me rasgado por dentro e encontrava uma imensa dificuldade em respirar.
Senti falta do seu abraço.
A dor lancinante insistia em me tomar a consciência. Escorreguei pela parede de encontro ao chão, pintado-a de vermelho por onde minhas costas tocavam. Uma arte obscena. Um fruto da habitual iniqüidade humana. O homem calmamente pegara minha carteira, minha vida, e se fora. Eu não conseguia me mexer. O asfalto estava frio e parecia grudar em meu rosto. Não era uma boa maneira de se morrer. O vento sussurrava despedidas inteligíveis em meus ouvidos. Vozes desesperadas e o calor de seus donos tentavam me manter aquecido. Reconheci as mãos que acariciavam meu rosto, embora não a pudesse ver. Nem o hálito da morte poderia me confundir se tratando de você. Suas mãos tremiam e seu medo sentara-se ao nosso redor, velando por meu corpo sublinhado por terra. Desejava te olhar e, por trás das lágrimas, vi teu rosto contra o céu movendo-se de forma negativa, como se não acreditasse. O medo nos seus olhos magoara mais que as feridas na minha carne. Tive vontade de abraçá-la. De sorrir para lhe mostrar que estava tudo bem. Todavia não houve palavra. Não houve fôlego. Não houve vida. Segurou minha mão e tocou meus lábios maculados. Impotente. Assistindo ao fim, enquanto eu virava estatística. Apenas mais uma vida tirando outra. Mais um ser humano atirando no espelho.
Sentia frio, vida e sangue deixando-me. Tive vontade de trocar seu pranto por risadas, ainda que algumas poucas.
Senti saudade das palavras doces.
Estou morrendo e a única coisa em que eu consigo pensar é...
Ele viera com sua arma e me pedira a carteira. Levantou aquele metal brilhante em direção ao meu pulsante coração amedrontado. Teve a decência de me olhar nos olhos impiedosamente antes de, com a simplicidade de um movimento de dedo, colocar uma vírgula nos meus sonhos. Era isso. Todos os planos, desejos e futuro estavam cessando em troca de algumas notas coloridas em uma carteira de couro. Quando a primeira bala perfurou-me não houve estalido, dor ou impacto. Não movi um músculo, apenas fechara os olhos. O silêncio vibrante suprimiu todo o resto e seu sorriso declarou-se, pintado em minhas memórias.
Você.
Era o universo prendendo a respiração enquanto eu, talvez uma última vez, me deliciava com a sua feição.
Abri os olhos lentamente. O metal quente ainda estava apontado para mim. Desci o olhar vagarosamente e toquei o peito com as pontas dos dedos. Eles se sujaram, rubro, vivo, envergonhados. Meu sangue se esvaía com a mesma velocidade que minhas ilusões de felicidade futura.
Lembrei do seu toque.
Olhei novamente nos olhos desumanos que me assistiam sucumbir e ele disparou novamente.
Desta vez fora cruel. O estampido fora ensurdecedor e o impacto me jogara contra a parede. Sabia que o projétil havia me rasgado por dentro e encontrava uma imensa dificuldade em respirar.
Senti falta do seu abraço.
A dor lancinante insistia em me tomar a consciência. Escorreguei pela parede de encontro ao chão, pintado-a de vermelho por onde minhas costas tocavam. Uma arte obscena. Um fruto da habitual iniqüidade humana. O homem calmamente pegara minha carteira, minha vida, e se fora. Eu não conseguia me mexer. O asfalto estava frio e parecia grudar em meu rosto. Não era uma boa maneira de se morrer. O vento sussurrava despedidas inteligíveis em meus ouvidos. Vozes desesperadas e o calor de seus donos tentavam me manter aquecido. Reconheci as mãos que acariciavam meu rosto, embora não a pudesse ver. Nem o hálito da morte poderia me confundir se tratando de você. Suas mãos tremiam e seu medo sentara-se ao nosso redor, velando por meu corpo sublinhado por terra. Desejava te olhar e, por trás das lágrimas, vi teu rosto contra o céu movendo-se de forma negativa, como se não acreditasse. O medo nos seus olhos magoara mais que as feridas na minha carne. Tive vontade de abraçá-la. De sorrir para lhe mostrar que estava tudo bem. Todavia não houve palavra. Não houve fôlego. Não houve vida. Segurou minha mão e tocou meus lábios maculados. Impotente. Assistindo ao fim, enquanto eu virava estatística. Apenas mais uma vida tirando outra. Mais um ser humano atirando no espelho.
Sentia frio, vida e sangue deixando-me. Tive vontade de trocar seu pranto por risadas, ainda que algumas poucas.
Senti saudade das palavras doces.
Estou morrendo e a única coisa em que eu consigo pensar é...
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