segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Mãe Guerra

Mamãe, fizemos tudo que nos pediu.
Porque nós te amamos.
Destruímos o que nossas mãos construíram.
Sublinhamos com terra os corpos dos nossos iguais.
Cuspimos nossas bombas das nuvens.
Porém, não me sinto mais feliz, mamãe.
Não pude deixar de pensar nas crianças.
Não pude me controlar ao imaginar as vozinhas infantis que não tiveram nem ao menos a chance de implorar por misericórdia.
Qual a próxima mãe que vai chorar?
Bom, como você nos aconselhou mamãe, isso não tem importância, não é mesmo?
Podemos manchar de vermelho a História,
não é necessário ter ciência de que atiramos no próprio espelho.
Só importa o coração que levamos no peito.
O resto é apenas o resto.
Uma coleção de sonhos.
Uma coleção de vidas.
Nada demais. Apenas algo para se arrancar.
Vamos continuar tomando futuros, mamãe.
Porque nós te amamos.
E porque somos sábios.
Sábios na terra da ignorância.