Ela chorava. Podia sentir o cheiro salgado do oceano enquanto observava aquela imensidão azul. A paisagem costumava lhe dar paz. Mas naquela tarde cinza tudo parecia demasiado pesado. Desejava que aqueleve vento vindo de longe arrastasse suas dores, as quais julgava ser infinitas.
Ele sentou-se no banco ao seu lado. Ela o olhou por trás das lágrimas. Era branco como um anjo de catedral. Usava um boné e roupas delicadas como as feições do seu rosto. Não possuía sobrancelhas e sob seus olhos haviam profundas olheiras. Abatido.
Segurava duas rosas nas mãos.
Ela o fitou por um momento antes de voltar a se entregar à propria dor. Parecia perdido em pensamentos. Olhou-a e sorriu. Quando os olhos dela encontraram seus olhos sorridentes ela viu muitas coisas. Descobriu que eram olhos cansados. Doentes. Mais cheios de satisfação e contentamento como se ela com suas lágrimas fosse a visão mais satisfatória sobre a qual ele poderia pousar o olhar.
Ela tentou sorrir de volta, mas os músculos de seu rosto pareciam ter-se solidificado. Ele a olhava carinhosamente, como se saboreasse cada sinal de vida nela. Ela secou timidamente as lágrimas e comentou com sua voz tristonha:
— Você tem um olhar engraçado.
Ele esperou com educado interesse para que ela explicasse.
— Olha como se tudo fosse especial.
Ele a olhou com meiguice e disse num sussurro:
— Mas é especial.
Ela achou graça e perguntou porque seria especial olhar para ela. Ele sorriu novamente. Ela manteve os olhos em sua brancura delicada. Era algo bonito e triste.
— É especial porque é único — disse com a voz fraca como se precisasse de esforço para falar. — Não vou vê-la de novo.
Ele olhou-a nos olhos parecendo notar o vermelho e as lágrimas e isto trouxe à mente dela os problemas que a levaram ali.
— Que quer dizer? — Ela perguntou a fim de se distrair.
Ele observava as duas rosas em suas mãos finas. Ela percebeu que, embora uma fosse jovem e bela, a outra estava murcha e enegrecida. Perdendo a vida.
— Este sou eu — ele tocava a frágil rosa, tirando-lhe pétalas. — Esta é você.
Ergueu a rosa jovem e olhou-a com paixão pela beleza da vida que havia nela. Ela entendeu o que aquela voz exausta estava lhe dizendo e recomeçou a chorar. A vida havia lhe tirado alguns momentos de alegria, mas havia roubado algo muito maior desse estranho. Havia lhe levado tempo. Saude. E, no entanto, ele estava ali a sorrir.
— Nem todas as lágrimas são ruins — disse com sua voz cansada. — Chore agora. Mas certifique-se que não voltará a chorar enquanto não realizar seus sonhos e colocar seus problemas sob seus pés.
Ela chorou. Por minutos incontáveis, até ser invadida pela calma vibrante que sucede o pranto. Secou os olhos timidamente e o fitou. Ele havia tirado o boné. Não possuía nenhum cabelo, o que aumentava sua aparência doentia de alguém que não dispõe de muito tempo.
— É para você — esticou a rosa com suas mãos frágeis. Colocou-se de pé e fitou o oceano com olhos saudosos.
— O que vai fazer? — Ela perguntou, desejando que ele não fosse embora.
Com seu sorriso cansado e sedento de vida respondeu:
— Vou fazer valer a pena — após uma pausa acrescentou como um convite: — E você?
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Juro que dessa vez realmente chorei. ç.ç'
ResponderExcluircara... muito foda o texto!!
ResponderExcluiras primeiras linhas eu achei muito familiar.. e lembrei que já tinha lido o início antes de vc postar no blog. auhauhauha